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Menina-Mulher e a Autora

O livro "Menina-Mulher" é, no fundo, a história da minha transformação de menina para mulher, muitas vezes de forma brusca e precoce. Cada desafio que enfrentei, desde a menstruação aos oito anos até às experiências de abuso e desilusão amorosa, moldou profundamente a minha visão de feminilidade e maternidade.


  • Empoderamento através da superação: A minha narrativa mostra uma constante luta para me reerguer, para transformar feridas em aprendizagens. Desde cedo, desenvolvi uma "capacidade de superação incrível". Esta resiliência tornou-me uma mulher mais forte e consciente do meu valor, independentemente das adversidades. Agradeço, inclusive, à minha filha mais velha por me ter "salvo, mais do que uma vez, de mim própria", o que demonstra um ciclo de empoderamento e apoio entre nós.


  • Relacionamentos familiares e proteção: Desde muito nova, assumi um instinto maternal muito forte, cuidando dos meus irmãos e colocando o "bem dos outros à frente do seu próprio bem". Essa responsabilidade precoce fez-me valorizar a família acima de tudo. Como mãe, os meus traumas mais cedo, especialmente as situações de vulnerabilidade, fizeram-me ser extremamente protetora, procurando assegurar que os meus filhos tivessem uma infância segura e feliz, longe dos "perigos" que eu enfrentei. A minha preocupação com os irmãos para que "não falassem com estranhos", quase uma obsessão, é um reflexo direto do trauma que vivenciei.


  • Perspectivas sobre feminilidade: A precoce experiência da menstruação, que me fazia sentir "uma aberração" e as subsequentes dores horríveis, tornaram-me consciente da complexidade e dos desafios do corpo feminino. Tornei-me uma defensora da abertura sobre estes temas, garantindo que as minhas filhas tivessem o apoio e a informação que me faltaram. A minha transformação de "menina Celeste" para "mulher Celeste" também me fez compreender a importância de me afirmar, de "viver um pouco mais para ela", o que me levou a redefinir a minha própria identidade e o meu papel.


A minha trajetória como aluna, marcada por uma sede de conhecimento e, por vezes, por injustiças, foi um catalisador fundamental para a minha prática pedagógica. O livro "Menina-Mulher" detalha a minha dedicação aos estudos:

"Queria ser a melhor aluna da turma e trabalhava para isso."


"Adorava estar ocupada, e com todas as experiências que já tinha vivido, considerava que ocupar a mente era a melhor solução para conviver com tudo o que borbulhava na sua cabeça."


Esta paixão por aprender, muitas vezes autodidata – como quando estudava as matérias antes mesmo de serem dadas em aula, fez-me valorizar imensamente a autonomia do aluno e a importância de um ambiente de aprendizagem estimulante e seguro.


As experiências de bullying, inicialmente pelo meu nome e depois pela situação embaraçosa na escola primária, incutiram em mim uma profunda empatia pelos alunos que se sentem marginalizados ou incompreendidos. Na prática educacional, isso se traduziu em:


  • Criação de um ambiente inclusivo: Sempre procurei ser uma professora que via além do comportamento superficial, tentando entender as razões por trás das dificuldades ou atitudes dos meus alunos. As minhas próprias vivências fizeram-me perceber que, por trás de cada criança, há uma história complexa e, por vezes, dolorosa. Nunca quis que nenhum aluno se sentisse como eu me senti, "injustiçada" ou "uma aberração", quando descrevo a minha menstruação precoce.


  • Promoção da resiliência: Incentivei os meus alunos a persistirem, mesmo diante das dificuldades. A minha história é um testemunho de superação, e esta capacidade, que reconheço ter "acima da média", procurei transmiti-la. Por exemplo, quando me vi acusada injustamente de estragar um livro na escola, aprendi a defender-me e a ignorar as acusações, uma lição que partilhei com os meus alunos sobre a importância de confiar na sua verdade.


  • Métodos de ensino diversificados: Lembro-me de como a pintura era o meu refúgio e forma de ocupar a mente quando as aulas eram "aborrecidas" ou quando já dominava a matéria. Isso inspirou-me a incorporar mais atividades criativas e práticas nas minhas aulas, reconhecendo que diferentes alunos aprendem de diferentes maneiras e que a "ocupação" da mente pode ser terapêutica e enriquecedora.


Embora o livro não mencione diretamente o ténis de mesa, a "Menina-Mulher" é uma narrativa sobre disciplina, foco, e a capacidade de lidar com a pressão, qualidades essenciais para qualquer atleta e, especialmente, para um árbitro internacional de alto nível.


  • Disciplina e Resiliência: A minha dedicação aos estudos, a ambição de "lutar para ser uma das melhores alunas" e a capacidade de ignorar as "risadas dos colegas" para me focar nos meus objetivos, são traços que se traduziram diretamente na minha carreira desportiva. A minha "capacidade de superação acima da média" foi a base para persistir por mais de 20 anos numa modalidade tão exigente como o ténis de mesa. Mesmo enfrentando situações de grande pressão, a minha mente, forjada em adversidades, permitiu-me manter a calma e o foco.


  • Maturidade e Força Mental: No livro é referido que "a Celeste sempre foi muito madura para a idade que tinha". Esta maturidade precoce, aliada à "força mental" desenvolvida para "ignorar as acusações, os olhares e os murmúrios", foi crucial para a minha atuação como árbitra. A arbitragem internacional exige imparcialidade, decisões rápidas e uma postura inabalável perante a crítica ou a pressão dos atletas e do público. O meu histórico de superar situações difíceis, como a violência de um namorado que "difamava" na escola, preparou-me para lidar com a intensidade dos ambientes competitivos.


  • Foco e Autocontrole: A minha capacidade de "controlar a forma como eu reagia" face a situações incontroláveis é uma habilidade de autocontrole que se aplica diretamente à arbitragem. A jornada para ser a única mulher portuguesa a alcançar o nível mais alto na arbitragem internacional de ténis de mesa exigiu não só um conhecimento técnico profundo das regras, mas também uma tremenda disciplina pessoal e a capacidade de gerir as emoções sob pressão, tal como eu gerenciava os meus próprios medos e vergonhas para "não dar a entender que ia virar" ou para "fazer de conta que dormia" em situações perigosas.


A minha experiência de vida, conforme narrada em "Menina-Mulher", também forneceu uma base sólida para a minha carreira empreendedora no setor imobiliário, influenciando as minhas estratégias e decisões.


  • Visão e Apreciação pelo Lar: A construção da "casa nova" pelos meus pais é um tema recorrente, e o meu desejo de "ajudar os meus pais a construir a casa", mesmo que me tenha levado a uma experiência traumática, mostra um apreço precoce pelo valor de um lar. A alegria e o orgulho que senti ao mudar para a casa nova e ao ter o meu próprio espaço, como descrevo no meu diário, "parece aquelas casas dos contos de fadas, uma casa de princesas", incutiram em mim uma profunda compreensão da importância de um lar. Isso tornou-se uma paixão que me levou ao setor imobiliário, onde não vejo apenas transações, mas a realização de sonhos e a construção de refúgios seguros para as famílias.


  • Iniciativa e Proatividade: Desde pequena, sentia a necessidade de "sentir-me útil" e de "não estar parada". A minha iniciativa de aprender a cozinhar, a passar a ferro ou a ajudar nas tarefas domésticas mostra uma proatividade nata. No empreendedorismo, esta característica é vital. Não espero que as coisas aconteçam; faço-as acontecer. A capacidade de me "ensinar a mim própria" é uma estratégia crucial para me manter atualizada e inovadora no mercado imobiliário.


  • Resiliência e Gestão de Adversidades: O ambiente imobiliário, como qualquer negócio, tem os seus altos e baixos. A minha história é uma lição contínua de como enfrentar e superar adversidades. As experiências traumáticas da infância ensinaram-me a "criar muros à sua volta para ajudar a proteger-se das coisas más do mundo", o que se traduziu numa forte capacidade de análise de risco e na habilidade de proteger o meu negócio e os meus clientes. O trauma de ser enganada na tentativa de ajudar os meus pais ensinou-me a importância da transparência, da ética e de uma diligência extrema em todas as negociações, construindo uma reputação de confiança no setor.


  • Adaptação e Reinvenção: O momento em que decidi "começar a viver um pouco mais para ela", mudando a minha postura e rotinas, demonstra a minha capacidade de adaptação e reinvenção. No mundo dos negócios, especialmente no imobiliário, que está em constante mudança, esta flexibilidade é fundamental para ajustar estratégias, inovar e manter a empresa relevante e competitiva.


Em suma, a "Menina-Mulher" não é apenas a minha história; é a minha fundação.


Cada capítulo, seja de alegria ou de dor, forjou a mulher, a professora, a mãe, a atleta e a empresária que sou hoje.


É a prova de que as experiências mais difíceis podem ser transformadas em fontes inesgotáveis de força e sabedoria.

 

Obrigada por lerem Menina-Mulher!



 
 
 

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